Conar segue atenta às campanhas de BET na COPA 2026
- VITTORIO

- 7 de jul.
- 2 min de leitura
Falhas de fiscalização em anúncios de apostas reacendem debate sobre ética, proteção de menores e as fronteiras entre o futebol e o jogo

A Copa do Mundo de 2026 consolidou-se como o maior palco comercial do ano, mas também se tornou o cenário do mais complexo teste de maturidade regulatória para o mercado de apostas esportivas no Brasil. Com o setor sob os holofotes de milhões de torcedores, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) assumiu um papel central ao intervir diretamente em formatos de anúncios que cruzaram a linha da responsabilidade social.
O caso emblemático envolvendo as transmissões ao vivo da CazéTV — que resultou em uma medida liminar do Conar suspendendo ações de marcas como KTO, Betnacional e Bet365 — acendeu o alerta máximo no mercado. O órgão passou a avaliar não apenas os comerciais tradicionais nos intervalos, mas a própria dinâmica de "apostas em tempo real" misturadas ao conteúdo editorial.
As representações aceitas pelo conselho de ética baseiam-se nas regras rígidas do Anexo X do Código de Autorregulamentação. Durante o torneio, a fiscalização focou especialmente em três desvios: Estímulo ao Imediatismo e Urgência: Ações onde apresentadores destacavam as odds (probabilidades) de lances específicos durante o jogo, criando um senso de urgência para que o telespectador apostasse "naquele exato momento"; Promessa de Ganho Fácil ou Solução Financeira: A linha tênue entre o entretenimento e a indução ao erro. O Conar pune publicidades que omitam os riscos da atividade ou deem a entender que o palpite é uma fonte de renda garantida; Falta de Alertas Claros: A obrigatoriedade de avisos de restrição etária (18+) e mensagens de jogo responsável bem visíveis, similares aos alertas de saúde usados na indústria de bebidas alcoólicas.
"A publicidade de apostas deve ser estruturada de maneira socialmente responsável. Ficam vedados os estímulos ao exagero, ao jogo irresponsável e a invasão de formatos comerciais que se confundem com a narração esportiva." — Diretrizes do Anexo X do Conar.
O Impacto prático no mercado
Embora as decisões do Conar tenham caráter de recomendação e não gerem multas financeiras diretas, a indústria da comunicação as acata quase integralmente para evitar desgastes reputacionais e processos na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ou no Ministério da Fazenda.
Tanto que, logo após as primeiras notificações, os canais de transmissão e as plataformas de bets correram para readequar seus formatos, migrando de interações improvisadas dos influenciadores para comerciais mais tradicionais e padronizados.
A Copa do Mundo de 2026 deixa claro que o mercado de apostas no Brasil saiu da fase do "vale-tudo" institucional. A atuação do Conar mostra que a criatividade publicitária no futebol agora precisa caminhar estritamente de mãos dadas com o compliance e a proteção ao consumidor.

















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