Audiovisual brasileiro gerou 50% a mais de emprego que o setor de automóvel, segundo Oxford Economics com dados do IBGE
- REDAÇÃO

- 3 de dez. de 2025
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Atualizado: 9 de dez. de 2025
Dados recentes de 2024, baseados em estudos da Oxford Economics e do IBGE, revelam que a área gerou 58% mais empregos do que a fabricação de automóveis, camionetas e utilitários

O setor audiovisual brasileiro demonstrou um vigor econômico impressionante em 2024, superando a fabricação de automóveis em geração de empregos. Com 120 mil postos de trabalho diretos em 2023, o audiovisual empregou 58% mais pessoas do que a indústria automotiva (76 mil em 2022).
O impacto vai além do emprego direto: cada vaga na área gera, em média, outros quatro empregos indiretos, o que é confirmado por produtoras como a O2 Filmes, que geram até mil empregos indiretos por produção. Além disso, a média salarial no audiovisual tradicional (R$6.800) é mais que o dobro da média nacional (R$3.225).
No entanto, essa prosperidade está concentrada no eixo Rio-São Paulo, o que, segundo especialistas, exige políticas públicas para maior equilíbrio regional.
"Eu te diria que existe no eixo Rio-São Paulo uma grande concentração desses trabalhos, especialmente os mais bem remunerados. Caberia ao Estado e às políticas públicas também buscar o maior equilíbrio regional para essa disponibilidade de oferta de trabalho".
Pedro Guindani, diretor da API (Associação das produtoras independentes do audiovisual brasileiro) no sul do Brasil.
A persistência dominância da TV Aberta na era do sreaming
Apesar do crescimento das plataformas de vídeo sob demanda, a TV aberta se mantém como a força motriz do setor, sendo a categoria com maior faturamento, empregabilidade e audiência.
Ela é responsável por 44% dos empregos (cinemas vêm em segundo com 22%) e gera 47% do faturamento total do setor, contribuindo com R$34,9 bilhões para o PIB em 2024, seguida pelo streaming (27%). A televisão aberta também domina a audiência, com 57,9% do consumo de vídeo no país, superando o vídeo online (33,4%).
Sua predominância é justificada pelo setor pela gratuidade, consolidação e capacidade de inovação (como a TV 3.0), além da baixa penetração de internet de qualidade, que freia o crescimento do streaming no Brasil, onde a TV está presente em 94,3% dos lares.
Reconhecimento internacional e desafios de consumo nacional
O audiovisual brasileiro alcançou um superávit de R$2,6 bilhões em 2023, exportando mais produções do que importando. O reconhecimento internacional, como a indicação de "Ainda Estou Aqui" ao Oscar, impulsiona as vendas de filmes nacionais, como evidenciado pelo crescimento de quase 200% da Ingresso.com e pelo sucesso de pré-venda de "O Auto da Compadecida 2".
Apesar do crescimento do streaming, a TV aberta "vai demorar para morrer" porque é gratuita, consolidada e sempre se reinventa, diz setor. A API (Associação das produtoras independentes do audiovisual brasileiro) e a Bravi (Brasil Audiovisual Independente) acreditam na permanência do formato por décadas, ainda mais com a chegada da TV 3.0 e dos streamings dos próprios canais de televisão.
Esses prêmios elevam a visibilidade de todo o setor, mas o Brasil ainda enfrenta desafios para que a produção nacional seja amplamente consumida, tanto interna quanto externamente. A BRAVI aponta que o preconceito entre os próprios brasileiros e a falta de filmes pensados para toda a família dificultam a criação de um hábito de consumo de obras nacionais.
O papel vital e as necessidades de aperfeiçoamento do incentivo público
O investimento público é considerado essencial para a existência e fortalecimento da indústria audiovisual, tendo o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) repassado o valor recorde de R$711 milhões em 2024. No entanto, associações do setor, como a API e a BRAVI, destacam que as políticas públicas precisam crescer, ganhar mais agilidade nos pagamentos e garantir que atinjam produtoras menores e aquelas fora do eixo Rio-São Paulo.
"O sucesso recente de produções nacionais e internacionais demonstra que o hábito de ir ao cinema segue forte".
Mauro Gonzalez, diretor de negócios da Ingresso.com.
A interrupção de projetos de fomento ao longo dos anos gera imprevisibilidade, e o setor sugere soluções como as coproduções internacionais e o aumento da frequência no reconhecimento internacional, inspirando-se em países como a Coreia do Sul, que investe ininterruptamente no setor há décadas.
Matéria originalmente publicada na UOL.

















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