Com a ascensão do Wellness, nova era das festas e festivais investem em programação diurna
- VITTORIO

- 8 de dez. de 2025
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Atualizado: 16 de dez. de 2025
Eventos diurnos promovidos por festas refletem os novos tempos, numa era onde o tempo de qualidade se torna uma mina de ouro

— Aos 18 anos, tinha no meu perfil do Orkut a seguinte frase: "publicitário, fotógrafo e baladeiro". Ainda que à época fosse estudante, era um tempo onde tínhamos disposição e excessos de amigos predominava a noite. Eu vivi a noite como ninguém: fotografei baladas, fui promoter, fiz festas e discotequei (tsc, aqui revelamos a idade). Hoje, já aos 37, a ordem da frase muda substancialmente: o baladeiro prefere "rolês" diurno, com pouquíssimas pessoas e tempo de qualidade. Mas porquê isso continua nos impactando? Bom, na era pós-pandemia nosso bem-estar tomou protagonismo. Se antes o escapismo era considerado nossa prioridade — o caos e as incertezas do mundo capitalista e a instabilidade socioeconômica nos espremiam — hoje é o bem-estar que fala mais alto, pois valorizamos o autocuidado, e isso impulsiona o desejo por experiências que, além de entreter, promovam recuperação, reconexão e saúde (física e mental), mais conhecido como redução de danos.
Na era da experiência, valorizamos a vivência, as emoções e o relacionamento: eventos durante o dia, muitas vezes ao ar livre ou em ambientes que valorizam a luz natural e a natureza, oferecem uma vivência mais completa e imersiva. Eles se tornam plataformas de conexão, identidade e até mesmo networking, transformando o exercício físico e o relaxamento em momentos sociais. Além de nutrir o corpo físico, há uma conexão holística que nos ajudam a combater estresse, libera serotonina e reduz exposição ao álcool ou substâncias ilíticas.
Os efeitos práticos e imediatos dessa nova modalidade de evento são as coffees parties (onde o álcool é descentralizado, cafés e brunches entram na batida e a festa é consumida nas primeiras horas do dia). O propósito — quase sempre — é oferecer uma alternativa às baladas noturnas, focando em conexão, bem-estar, energia e socialização mais consciente e saudável. Muitas pessoas buscam esse formato para dançar, se divertir e estar em casa cedo, sem os excessos da madrugada.
Em São Paulo, o sócio-diretor do festival Tokka, Ricardo Piovesan, percebeu esse movimento há pelo menos 2 anos.
"Hoje, o público que frequenta a TOKKA e outros eventos nossos está muito ligado no cuidado com a saúde do corpo e da mente, porque entende que a rotina de trabalho e até mesmo algumas rotinas de lazer demandam muita energia. Essas pessoas precisam estar alinhadas com um ritmo de vida mais saudável para dar conta de todas as demandas, seja de trabalho, seja de lazer", acrescenta o empresário.
Segundo ele, o pilar do festival trabalha corpo e mente. "Observando esse novo comportamento, principalmente do público mais jovem, a gente criou o TOKKA Body and Mind, que é um pilar, uma plataforma da TOKKA que prioriza, incentiva e reúne grupos para treinos e momentos de cuidado com o corpo e com a mente.

A ideia é criar um novo ponto de contato, onde as pessoas possam se encontrar, treinar juntas, falar da vida e ter outro momento que não seja a festa — um espaço para a gente se conectar, para deixar de lado um pouco daquele personagem que a gente cria nas festas e criar elos diferentes, mais humanos, nesse momento de treino, de yoga, ou de corrida funcional, o que for" finaliza o sócio-diretor da TOKKA.
Em Brasília, no Distrito Federal, o Na Praia Festival investe na programação diurna desde o começo de suas edições, com práticas saudáveis como yoga, funcional, beach tennis e aulas coletivas de dança.
As festas estão se adaptando ao novo consumidor que deseja uma experiência mais completa, saudável e consciente, onde a celebração e o cuidado com o bem-estar caminham lado a lado. Isso atrai patrocinadores alinhados com valores de saúde e sustentabilidade. Essas atividades wellness diurnas criam espaços e momentos onde as pessoas podem se conectar e desfrutar da atmosfera do evento sem a pressão de consumir álcool ou outras substâncias. Criar um público mais engajado que busca não apenas a música, mas também a comunidade e o crescimento pessoal que essas atividades proporcionam. Esse posicionamento cria verdadeiros legiões do selo e senso de comunidade dos frequentadores.

















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